“O que transforma organizações é uma Liderança Personalista”
No palco onde as decisões estratégicas moldam o futuro das organizações, ainda são poucas as vozes femininas que ocupam o centro da conversa. Mas há mulheres que não pedem espaço — conquistam-no.
É com essa força que Aldina Coimbra Lemos, Administradora Executiva e CFO do Grupo Embeiral, se senta à mesa com a Business Voice para falar sobre muito mais do que números, balanços e resultados. Nesta entrevista especial dedicada ao Dia Internacional da Mulher, a nossa entrevistada desafia narrativas confortáveis, desmonta estereótipos e coloca o foco onde realmente importa: liderança com propósito, igualdade com ação e mérito sem rótulos. Porque celebrar o Dia da Mulher não é apenas assinalar uma data — é questionar estruturas, rever culturas e acelerar mudanças. Prepare-se para uma conversa direta, inspiradora e, acima de tudo, transformadora.
Num universo ainda maioritariamente masculino, que tipo de liderança feminina acredita que verdadeiramente transforma organizações? Como carateriza a sua liderança?
Sou, por natureza, uma pessoa de afetos e o meu percurso de vida acabou por moldar muito a minha forma de liderar.
Sou economista de formação, fiz mestrado em Gestão Hospitalar e, mais tarde, doutoramento em Bioética, porque a dimensão social sempre me fascinou.
Acredito que o que transforma organizações é uma liderança personalista, centrada nas pessoas. Caracterizo a minha liderança como próxima e empática, procurando sempre ver o lado bom nas pessoas.
A meritocracia existe mesmo ou ainda vivemos num sistema onde as mulheres têm de provar duas vezes mais para valer o mesmo? Fala-se muito de igualdade. Na prática, onde é que ainda falhamos?
Não gosto muito da palavra igualdade, porque sinto que não precisamos de nos comparar.
Acredito sobretudo no trabalho diário e em fazer o nosso melhor, confiando que o reconhecimento acaba por chegar.
Enquanto Administradora Executiva, como equilibra firmeza estratégica com empatia humana?
De uma forma muito natural. Para mim, todos têm uma palavra a dizer e as opiniões são muito importantes. Contudo, também acredito que apenas com democracia não “marcamos golos”, tem de existir um pulso firme para tomar decisões.
Se pudesse eliminar um estereótipo sobre mulheres em cargos de topo, qual seria? E qual é o preconceito mais subtil — aquele que quase ninguém admite — mas que ainda sente existir?
Acredito que uma mulher que chega a um lugar de topo, com mais ou menos empatia, saberá liderar. Porque é mulher.
O Dia Internacional da Mulher é celebração, reivindicação ou ainda resistência? Na sua visão, estamos a viver um momento histórico de mudança real ou apenas de narrativa?
Nunca celebrei o Dia da Mulher, porque sinto que não é preciso celebrar.
Na realidade, tudo mudou e é diferente, e questiono a necessidade de estar sempre a relembrar.
Se pudesse deixar uma mensagem direta — quase crua — às jovens mulheres que ambicionam liderar grandes grupos empresariais, o que lhes diria sem filtros?
Sem filtros: gerirem os vossos negócios com consciência e tranquilidade.
Gerirem dando sempre o vosso melhor.
E, se forem mães, liderarem como educam os vossos filhos, com amor.