“Desvendar se aos 40+ é um ato de Coragem e de Lucidez”
Reunindo Sofia Guilherme, Especialista em Autoconhecimento, Cecília Fernandez, Fotógrafa de Pessoas, e Mónica Silva, Fashion Advisor & Stylist, esta conversa dá voz a três mulheres da Épicas Hub que se unem no projeto DESVENDA-TE. Um ritual contemporâneo que cruza autoconhecimento, fotografia e styling com um propósito profundo: devolver visibilidade à mulher que não se sente vista. Um diálogo sobre identidade, presença e a coragem de se revelar, onde o olhar para dentro se transforma numa poderosa afirmação de quem se é.
Antes de tudo, levantem-nos um pouco o véu sobre este projeto denominado por DESVENDA-TE e quais são os desideratos do mesmo?
O DESVENDA TE é um ritual contemporâneo, que combina autoconhecimento, fotografia e styling, com o intuito de devolver visibilidade à mulher que não se sente vista. Pretendemos criar um espaço seguro, bonito, e onde a descoberta pessoal se traduza em tomada de consciência, e definição de escolhas. Pretendemos que cada mulher desvende camadas ocultas, acolha as dores com ternura, e alinhe a imagem exterior com a verdade interior, para que a sua presença deixe de ser fruto da ocasião, e passe a ser uma escolha consciente.
De que forma o DESVENDA-TE transforma a combinação entre autoconhecimento, fotografia e imagem numa experiência profundamente emocional, capaz de revelar camadas que muitas mulheres nem sabiam que existiam?
A fotografia age como espelho que não julga; capta sensações e emoções: aquilo que a palavra, por vezes, não alcança. O autoconhecimento fornece o mapa — perguntas, caminhos e escuta ativa, permitindo que se tragam à superfície memórias, feridas e desejos — enquanto a imagem traduz essas descobertas numa linguagem visual. Juntas, estas três vertentes criam uma experiência sensorial: a mulher vê se, sente se, e reconhece se nas imagens, promovendo, tantas vezes, validação.
O impacto vai muito além das imagens finais. O DESVENDA-TE gera consciência, desbloqueia confiança e cria uma nova relação com a própria identidade. Para muitas mulheres, é o ponto de viragem entre a imagem que “achavam que tinham” e a mulher que, afinal, sempre foram. E quando essa descoberta acontece, ela reflete-se não só na forma como se vestem ou se mostram, mas também na forma como se posicionam, decidem e ocupam o seu lugar no mundo — incluindo o contexto profissional e empresarial.
Qual foi o impulso que vos levou a criarem este projeto, e como é que a vossa experiência pessoal vos influenciou na essência desta jornada imersiva?
O impulso nasceu de histórias repetidas: mulheres que, apesar de imagens cuidadas, carreiras bem-sucedidas e objetivos concretizados, se sentiam invisíveis e incompletas. Cada uma de nós trouxe a sua bagagem — momentos de perda, reinvenção e reencontro — que moldaram a abordagem do DESVENDA TE.
Sabemos, pelas nossas próprias vivências, que a verdadeira transformação não acontece quando se muda o exterior, mas apenas quando se cria coerência e alinhamento entre o que se sente, o que se é, e o que se comunica.
Mais do que um método, é uma jornada que traduz tudo aquilo que aprendemos na prática — com pessoas, marcas e connosco próprias — e que hoje colocamos ao serviço de outras mulheres, ajudando-as a ocupar o seu lugar com intenção, verdade e alinhamento.
É fruto de vivências reais, com o desejo de transformar vulnerabilidade em presença.
O que significa realmente “desvendar-se” aos 40+, e por que razão esta fase da vida se revela tão propícia para um mergulho interno que envolve reconhecer dores, desmontar máscaras e abraçar a verdadeira identidade?
Desvendar se aos 40+ é um ato de coragem e de lucidez. Nesta fase, muitas mulheres deixam de viver para corresponder a expectativas externas e passam a viver para se alinhar com a sua própria verdade. Depois de décadas a desempenhar múltiplos papéis — profissionais, familiares e sociais — surge uma clareza sobre o que já não faz sentido sustentar; as máscaras, antes úteis, começam a pesar mais do que proteger.
Esta etapa é particularmente propícia ao mergulho interno porque traz consigo experiência, bagagem e maturidade emocional. Houve conquistas, quedas, perdas e recomeços; as dores são reconhecidas e acolhidas como parte do percurso. Esta aceitação permite desmontar personagens criadas para agradar, sobreviver ou ser aceites, abrindo espaço para escolhas mais autênticas.
Aos 40+ a identidade deixa de ser uma promessa futura e torna se uma escolha presente. Há menos pressa em provar e mais vontade de ser. No plano profissional e empresarial, isso traduz-se em decisões mais conscientes, posicionamentos mais claros e numa imagem construída para representar, não para impressionar.
Desvendar se é, portanto, libertar se do ruído externo e assumir a própria narrativa com responsabilidade e coerência. A maior força passa a residir na integridade — em ser inteira e autêntica — que se converte num ativo decisivo, tanto na vida pessoal, como na carreira.
De que modo a escolha do outfit, tratada como uma ferramenta de expressão e não de aparência, ajuda cada mulher a “vestir-se para se despir”, permitindo que a imagem externa dialogue com a autenticidade interna?
Quando a escolha do outfit deixa de ser encarada como mera aparência, e passa a ser assumida como uma ferramenta de expressão, acontece algo muito poderoso: a roupa deixa de “disfarçar” e passa a revelar. É aqui que entra o conceito de “vestir-se para se despir” — despir camadas de expectativas externas, padrões impostos e personagens que já não representam quem a mulher é hoje.
A imagem externa torna-se, assim, um espelho consciente da identidade interna. Cada peça escolhida com intenção comunica valores, postura, segurança e clareza sobre quem se é e para onde se vai. Num contexto profissional e de negócios, isto traduz-se em coerência: a mulher apresenta-se ao mundo de forma alinhada com o seu discurso, as suas decisões e a sua visão.
Quando existe este diálogo entre autenticidade interna e imagem externa, a roupa deixa de ser uma armadura e passa a ser uma extensão natural da identidade. O resultado não é apenas uma melhor imagem, mas uma presença mais forte, mais verdadeira e, sobretudo, mais impactante — porque a confiança que nasce do alinhamento interno é sempre visível, mesmo antes de qualquer palavra ser dita.
Que impacto esperam gerar nas mulheres que vivem esta experiência de quatro horas, e como imaginam que esta imersão pode influenciar a autoestima, as decisões de vida e a relação consigo próprias no futuro?
O impacto que esperamos gerar com o DESVENDA-TE vai muito além da experiência em si. O objetivo não é (só) criar um momento bonito, mas provocar “um antes” e “um depois”. Durante a imersão, as mulheres são convidadas a parar, a escutar-se e a olhar para si com uma honestidade que raramente encontram no dia a dia. Esse espaço de consciência é, muitas vezes, o primeiro passo para uma transformação real.
Quando uma mulher se vê — sem filtros, sem personagens e sem expectativas externas — a relação consigo própria muda, e ela reconhece-se. A autoestima deixa de depender da validação externa e passa a assentar na coerência interna. Isso reflete-se na forma como se apresenta, como comunica e como ocupa o seu lugar, tanto na vida pessoal como profissional.
A médio e longo prazo, acreditamos que esta imersão influencia decisões mais alinhadas: escolhas de carreira, redefinição de prioridades, limites mais claros e uma relação mais saudável com a própria imagem.
No futuro, imaginamos mulheres mais conscientes, inteiras e livres. Mulheres que não usam a imagem para se esconder, mas sim para se afirmar. E quando essa mudança acontece, o impacto estende-se naturalmente às suas relações, aos seus negócios e às decisões que constroem a vida que escolhem viver.